Pouco requisitada como importante fonte de geração de energia a alguns anos atrás, energia solar desponta como uma das energias mais baratas e limpas do mundo.

A Agência Internacional de Energia (IEA) não foi capaz de adivinhar, no ano de 2000, a magnitude do uso da energia solar nos anos seguintes. A previsão era de que, no ano de 2020, o mundo teria instalado um total de 18 gigawatts de capacidade solar fotovoltaica. Em contraste, nos dias de hoje, 18 gigawatts corresponde à capacidade solar instalada em um único ano.

Nas últimas décadas, a IEA tem falhado em avaliar o crescimento das energias renováveis, subestimando o acolhimento da energia solar e eólica, e exagerando significativamente na demanda por carvão e petróleo.

O preço da energia solar tem se mostrado menor comparado às demais fontes de energia disponíveis na maioria dos lugares do mundo, sendo resultado do poder industrial chinês apoiado pelo capital americano, alimentado pelas iniciativas políticas europeias e concretizado pelo trabalho pioneiro de uma equipe de pesquisa australiana.

Os EUA teve relevante papel na caminhada pelo desenvolvimento de energias renováveis, possuindo presidentes que, desde o século XX, propuseram projetos para o cumprimento da transição energética.

A Austrália, por sua vez, foi o berço da célula solar, inventada pelo pesquisador Russel Shoemaker Ohl, do laboratório Bell Labs. Russel foi sucedido, então, por um jovem professor, Martin Green, que lecionava engenharia na Univesity of New South Wales.

Martin Green compôs um grupo de pesquisa, em 1975, iniciando seus experimentos pelo aumento da voltagem das células solares. Algum tempo depois, focou seus esforços na qualidade das células, tendo quebrado o recorde mundial de eficiência em 1983.

Mais tarde, instruído por Green, o físico chinês Zhengrong Shi terminou seu doutorado em dois anos e meio, possuindo como resultado uma incrível tecnologia de célula solar, o que rendeu uma parceria com a Pacific Power em 1995: a empresa australiana investiu US$ 47 milhões para abrir a Pacific Solar, instalada em Botany, Sidney.

Apesar de ter sido nomeado vice-diretor de pesquisa e desenvolvimento da Pacific Solar, Shi recebeu, no ano de 2000, uma oferta de quatro autoridades chinesas da província de Jiangsu para construir sua própria fábrica. Shi aceitou, e dessa maneira nasceu a SunTech, com US$ 6 milhões em financiamento inicial do governo municipal chinês.

A capacidade de Shi de produzir células fotovoltaicas com eficiência de 17% superou os concorrentes, sendo que, no ano de 2005, sua empresa foi listada na Bolsa de Valores de Nova York, levantando US$ 420 milhões e tornando Shi um bilionário instantâneo. A partir daí, a SunTech decolou, conseguindo aumentar sua capacidade de produção de 60 megawatts para 500 MW e, em 2009, chegou a 1 gigawatt.

Com o aumento do mercado de energia solar no ano de 2012, a SunTech ficou vulnerável, e, combinada com algumas investigações internas, no ano seguinte solicitou uma concordata ao não conseguir pagar um empréstimo de US$ 541 milhões. Apesar disso, a empresa chinesa desenvolveu um papel fundamental para a energia solar, mudando os rumos da produção energética da China e do mundo para sempre.

Todo esse processo tornou a energia solar difundida, utilizada e considerada a mais barata na maioria dos lugares do mundo. Iniciada pelos EUA como forma de se livrar do petróleo, a estrada percorrida até os dias atuais traça o destino e a ascensão que a energia solar tem e ainda terá em todos os países, oferecendo aos governos a alternativa de tornar a produção do mundo contemporâneo muito mais sustentável, e às populações a oportunidade de gerar a própria energia, diminuindo a conta de luz e tornando mais igualitária a distribuição de energia elétrica.

POR: DIANA DANIELE

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